Mulher afirmou à polícia que queria descobrir a verdade sobre suposta infidelidade; vítima segue internada em estado grave
A médica veterinária Lidiane Cecília Pereira, de 42 anos, foi presa por tentativa de homicídio após atear fogo no próprio marido durante uma discussão em Campo Grande. O homem, de 41 anos, sofreu queimaduras em cerca de 30% do corpo e permanece internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
De acordo com as investigações, o desentendimento começou durante a madrugada e teria sido motivado pela suspeita de uma suposta traição. O marido trabalha em Brasília (DF) desde 2024, circunstância que teria alimentado as desconfianças da esposa. O casal está junto há aproximadamente 26 anos e tem dois filhos.
Em depoimento à Polícia Civil, Lidiane relatou que pretendia incendiar apenas a mochila do companheiro para impedir que ele viajasse. Segundo a versão apresentada por ela, após pegar um recipiente com álcool na cozinha, retornou ao quarto onde o marido organizava seus pertences. Mais tarde, já na garagem da residência, ela teria acionado um isqueiro com a intenção de assustá-lo.
A investigada afirmou que percebeu as chamas apenas quando a camiseta do marido começou a mudar de cor e pegou fogo. Ela disse ainda que tentou retirar a roupa para apagar o incêndio, mas ambos acabaram caindo no chão durante a tentativa de controlar as chamas.
A filha do casal, de 22 anos, contou aos policiais que acordou com a discussão e ouviu o pai correndo pelo quintal enquanto pedia para que a mãe parasse. Ao sair do quarto, encontrou o homem em chamas e utilizou uma mangueira para ajudar a conter o fogo.
Após o ocorrido, a própria veterinária socorreu o marido, levando-o inicialmente para o Hospital Cassems. Posteriormente, ele foi transferido para o Proncor, onde segue internado, entubado e sob cuidados intensivos.
Durante o interrogatório, Lidiane negou ter tido a intenção de matar o companheiro e afirmou estar arrependida do que aconteceu. Ela declarou que queria que o marido confessasse uma suposta infidelidade e acreditava que aquela seria uma forma de obter respostas.
A investigação também apontou que a mulher realiza acompanhamento psiquiátrico há vários anos. Conforme relato da filha, ela possui diagnóstico de depressão, transtorno de ansiedade generalizada e síndrome do pânico. A própria investigada confirmou que estava sem utilizar a medicação prescrita havia entre 15 e 20 dias.
O caso segue sendo investigado pela Polícia Civil, que apura as circunstâncias do episódio e a responsabilidade criminal da suspeita.