O campeiro teve a prisão mantida para início imediato da pena
Eurizio Ferreira de Andrade, acusado de matar Jennifer Gimenes Morgenrotti, foi condenado a 35 anos, 11 meses e 15 dias de prisão. O crime aconteceu em junho de 2024, em uma propriedade rural na cidade de São Gabriel do Oeste, a 133 quilômetros de Campo Grande.
O julgamento foi realizado na última sexta-feira (27). A juíza Samantha Ferreira Barione condenou Eurizio pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de feminicídio e ocultação de cadáver contra as duas vítimas. O homem tinha contratado o serviço de duas garotas de programa. Na ocasião, a segunda vítima conseguiu fugir do autor e sobreviveu.
O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) pediu ainda a fixação de danos morais mínimos, no valor de R$ 50 mil para a vítima que sobreviveu e para cada um dos familiares de Jennifer. O campeiro teve a prisão mantida para início imediato da pena.
A dosimetria da pena foi dividida em:
O crime aconteceu no dia 23 de junho, em uma propriedade rural em São Gabriel do Oeste. O campeiro contratou o serviço de duas garotas de programa, ocasião em que uma delas foi brutalmente assassinada pelo homem.
Segundo depoimento da vítima que sobreviveu, quando chegaram ao local, o homem teria trancado as duas dentro de um quarto, afirmando que mataria Jennifer primeiro e depois ela. Então, a sobrevivente conseguiu forçar a grade da janela e sair do cômodo. Assim, pegou uma faca para se defender e ajudar a amiga. Contudo, o homem atirou na sobrevivente e a estrangulou com um fio.
A vítima acordou já no meio do mato e escutou dois disparos. Ela então tirou as roupas para dificultar que o criminoso a encontrasse. Em dado momento, o homem chegou a passar próximo dela, mas não a viu.
Quando o criminoso voltou para perto de Jennifer, já morta, a vítima viu o homem colocando o corpo da amiga, já sem vida, em uma carriola. A sobrevivente então fugiu do local e ficou escondida até ser encontrada e socorrida.
A vítima relatou que já tinha feito programas para o homem, mas que era a primeira vez de Jennifer com o autor.
A sobrevivente foi encontrada por um vizinho da fazenda, que a resgatou. O homem a levou para casa e ofereceu água. Ele relatou em depoimento que a vítima foi encontrada ensanguentada, nua e gritando por socorro e por isso a encontrou.
Quando foi preso, o idoso estava na casa da mãe do genro. Ela explicou para a polícia que não sabia do crime quando recebeu o autor em sua casa. Disse também que o idoso chegou a sua fazenda depois das 18h daquele dia, dizendo que iria jantar na residência. O marido da mulher encontrou o idoso na porteira, onde o veículo dele estava, e o trouxe para próximo da casa. Depois, o autor pediu para jantar e repousar no local.
A mulher disse que até então não suspeitou de nada, pois o idoso é uma pessoa do ciclo familiar e ele também não aparentava estar estranho.
Disse, no entanto, que notou alguns ferimentos no braço dele e o questionou. O idoso disse que havia brigado com a mulher. A mulher depois o questionou novamente, pois sabia que ele não era casado.
Ele então se referiu a uma mulher com quem teria uma filha. A testemunha disse também à polícia que todos da família acreditavam que ele tinha uma filha com uma das vítimas, pois sempre afirmou tal informação em situações anteriores, mas ninguém nunca conheceu a criança nem a mãe dela.
A mulher então enviou um áudio para seu filho avisando que o sogro estava na residência, como sempre fazia.
Ela contou ainda que não fazia ideia do crime e que, após relatar a tal briga com a mulher, o idoso disse que não queria mais saber dela.
Em seguida, o homem jantou e dormiu. Mais tarde, uma viatura da Polícia Civil chegou à residência, junto do genro do idoso.
Após o crime, por volta das 16h, o idoso enviou mensagens via WhatsApp para o genro pedindo para se encontrarem próximo da MS-430. O encontro aconteceu por volta das 16h40.
Segundo relato do genro à polícia, o sogro teria dito: “Fiz uma cagada”. Ele também contou que havia matado uma mulher e a outra estava baleada, mas havia fugido. O autor ainda questionou o rapaz sobre o que deveria fazer, tendo como resposta que deveria se entregar para a polícia, mas o idoso se negou.
O autor teria explicado ao rapaz que discutiu com a vítima sobrevivente. Ele teria dito que o motivo da briga era a filha em comum, de 5 anos, por causa de pensão. Depois da discussão, ele entrou no quarto, pegou a arma, carregou e atirou. Contou também que arrastou uma das vítimas até uma trilha que segue para a cachoeira.
Depois da conversa, o genro disse que iria chamar policiais para relatar o ocorrido. No pelotão da Polícia Militar, ele foi informado que a denúncia do crime já havia chegado.
Depois de incessantes buscas, o autor foi preso na madrugada de segunda-feira, 24 de junho de 2024, na fazenda da mãe do genro, com os celulares das vítimas dentro de uma bolsa.